Entrada

(Capítulo anterior)

Junto apressadamente todos meus pertences e começo a seguir Gabriel enquanto ainda tento arrumar todas as minhas coisas. Gabriel apenas diminui o passo para que eu tenha tempo de alcançá-lo, porém já não diz mais nada, toda a simpatia anterior foi substituída por um enorme silêncio, interrompido somente pelos barulhos de animais e folhas mexendo, como se ele estivesse meditando ou se concentrando em algo que estava fora dos meus conhecimentos. Acabo me perdendo em relação ao tempo, já não sabendo quantos minutos faz que estamos andando, talvez horas. Assim como já não saberia retornar para nosso ponto de partida, uma vez que demos tantas voltas que perdi meu senso de direção, e nem posso usar o sol como direcionador, já que às copas das árvores passaram a encobrir todo o céu, além da densa vegetação que nos obriga a desviar algumas vezes. Gabriel se mantém focado, como se apesar de já conhecer todo o trajeto na palma das mãos, precisasse de atenção a todos os detalhes. Escurece, já estou me arrependendo da decisão feita, e quando abro a boca para me manifestar e perguntar sobre onde estamos exatamente, avisto uma fraca iluminação em meio às folhagens.

Clica em ler mais para acabar de ler o post! Conforme nos aproximamos, percebo que a iluminação é proveniente de inúmeras velas e lampiões em frente a uma enorme casa, ainda em formas fantasmagóricas. Devo confessar que esperava algo mais simples, quem sabe uma cabana, e não um casarão em estilo colonial no meio de um lugar assim, tão inabitado. Agora a poucos metros da casa, percebo que seus dias de glória estão um pouco distantes, com pintura descascando, alguns vidros quebrados e madeiras precisando de reparo, mas ainda assim, continua com toda sua imponência. Antes de entrar, Gabriel se ajoelha em frente a uma espécie de santuário, quase imperceptível à luz noturna, vindo de família católica, tento observar a imagem a fim de reconhece-lá, mas nunca vi nenhuma semelhante, ao menos não me lembro de já ter visto alguma imagem de santa com um véu negro. Ao terminar sua oração, enfim se levanta e vai em direção à entrada principal, e finalmente decide falar comigo novamente, dizendo apenas um “Entre”, com um leve sorriso amarelo. Antes de entrar, me viro para olhar o cavalo e perguntar se não iria guardá-lo antes, mas já não está em minha vista, sumindo do mesmo modo que apareceu. Confuso, apenas entro.

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